sábado, 29 de janeiro de 2011

Capt. 6

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Capt. 6

No hall do hotel vejo-os, os desolados a procura de uma puta para uma foda infrutífera, outros encontraram o amor, nestes casos imagino-os vestidos à indiana jones num daqueles túneis infindáveis à procura do amor, imagino-o encarcerado num baú fechado a 7 chaves, quer dizer, 1000 chaves, vejo-os sorridentes a saírem para a claridade da avenida armados de enormes escudos anti dor enfrentam a rua.... vejo-os nas entradas dos hotéis cosmopolitas, perdidos e encontrados, alguns achados, o tempo passa mas não nos termos normais do tempo horas ou minutos, passa no relógio dos passos dos outros, 1 passo, 2 passos, uma pessoa, duas pessoas, olho-me no reflexo de design moderno agregado à parede, olho-me nos olhos e aproximo-me para ver os pormenores, agitado reparo no meu olho, pergunto-me se é mesmo meu será que roubei a alguém?

sábado, 15 de janeiro de 2011

Capt. 5


Capt. 5

Construímos uma pequena história totalmente inacabada, e agora eu deprimido não tenho capacidade para tentar mais nada e tu simplesmente não tentas, e como se fossemos comboios a correr em direcções opostas afastamos-nos, não conversamos mais, não dialogamos sobre o que quer que fosse, já não me melgas mais, nem te preocupas, aquilo que te trazia a mim murchou, talvez por minha culpa, talvez por não ter regado esse jardim, sinto-me derrotado, a realidade é que perdi, a realidade é que perdi, dizem que quando perdemos algo ganhamos algo completamente diferente, não queria perder mais gente, porque essas pessoas fazem-me muita falta, já não sou quem era, agora apenas rasgos do que fui sobressaem entre tristeza e apatia provocada por anti-depressivos, não queria me mudar de novo, abrir o coração de novo a gente nova, receio não ter nada de bom nesse pequeno cofre, que darei eu a essa gente nova?
Se pudesse chorar agora, mas não, estou tão apático que até a escrita me escapa.
Desabafo com esta folha à falta de melhor.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Capt. 4


Capt. 4

"Auff Auff" a minha respiração começa a pesar, levanto-me de novo, o tapete manchado com o meu sangue, "rrrrrr", ranger de dentes estranho, devo ter o maxilar fracturado, não consigo ver bem tenho a vista desfocada, a pernas pesam, "arghhhhhh", lá vem ele de novo, "scouch, puff, puff", protejo-me deficientemente, as luvas pesam-me, ele com três murros contra os meus braços encosta-me de novo a rede, "scouch, AuUUUU" um murro nos rins, golpe baixo, o árbitro separa-nos e eu agarro-me às corda para não cair, "nada de golpes baixos, a próxima vez que te vir fazer isso acabo com esta merda e juro-te que perdes" o aviso para o meu adversário, "filho, estás bem? Queres continuar o combate" um pé depois do outro ergo-me de novo, fixo o árbitro e sacudo a cabeça afirmativamente, "auff auff auff", começo aos pulinhos mas sinto-me tão pesado, ele aproxima-se a uma velocidade estonteante, "aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah, scouch, brummmm" não me consigo proteger, estou estendido de novo no tapete, e fixo as luzes, ao longe vozes gritam, não desistas tu consegues, eu não sei o meu corpo começa a conformar-se com o tapete e o seu conforto, eles gritam por mim, amigos, familiares, tudo, e se eu lhes falhar pergunto, já vejo as caras deles desiludidas, "10", já sinto a falta de sinceridade quando me vêm dizer que dei o meu melhor e isso é o que importa, "9", com esta seria a quinta vez que me levantaria e voltaria ao combate, "8", e isso para quê para voltar a cair? "7", para sofrer mais um pouco para que estas pessoas possam festejar-me, "6", se calhar querem apenas festejar comigo, "5", se calhar é sincero quando dizem que dei o meu melhor, "4", se calhar querem rejubilar comigo as minhas vitórias, "3", as nossas vitórias, "do, arghhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh" levanto-me, "queres mesmo continuar isto filho?", abano a cabeça afirmativamente, "és o maiorrrrrrrrrrrr, uh uh", sorriu a este piropo, olho o meu adversário, que investe sobre mim "squiff, squiff, puff" esquivei-me a dois ataques que podiam-me ter deixado ko, mas o uppercut encosta-me de novo às cordas, "squiff" esquivo-me e afasto-me das cordas, "squiff, squiff, squiff", três esquivas, já percebi a sua combinação, e ele desequilibra-se, a minha chance, "puff, puff, kaboom" ele cai, "EU SABIAAAAAAAA QUE CONSEGUIAS", um sorriso maroto escapa-me, ele levanta-se, começa a saltitar à minha frente "squiff, squiff" já tinha entendido o seu combo, mas movimento para me defender do uppercut, que ele não faz, temporiza o próximo soco, e eu desequilibro-me, e como se fosse uma bala o soco atinge-me a cara sem defesa possivel, "PUFFF", não tenho como me levantar, o meu corpo não responde, fecho os olhos, e as vozes ressoam como se tivessem no fundo do túnel, talvez ficar pelo tapete não seja assim tão mau, num ultimo esforço levanto o braço, para que me levantem, prontamente sou acudido, "estás bem miúdo?" abano afirmativamente e digo, "talvez por hoje já chega, mas a guerra está longe de ser perdida" ele ri-se, "deste o teu melhor, mas amanhã espero que o teu melhor seja melhor que o de hoje"

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Capt. 3


Capt. 3
Um telemóvel de alguém que já partiu de entre os vivos continua ligado, continuo a achar maravilhoso a quantidade de mensagens que este dispositivo recebe, tanta gente com saudades, hoje fizeram-me ouvir uma mensagem, que me deixou a pensar, que Deus idiota que leva alguém com tanto potencial e me deixa a mim, uma triste figura de gente, mas pronto ninguém está aqui para ler a pena que tenho de mim, passo a transcrever.

"Mensagem recebida a 8 de Janeiro 2011, olá, sou eu, certamente ainda te lembras da minha voz, claro que não, já foste, tenho tantas saudades tuas mano, tantas, que as vezes dou por mim a ligar este número à espera que atendas "snifff", lembras-te do jonny, aquele namorado do qual não gostavas nada, traiu-me, tou tão triste "som de choro", tenho tantas saudades de te ouvir dizer que quem não me quiser só pode ser idiota, liguei para o teu amigo, ele disse-me exactamente isso e ambos choramos um pouco, ele disse-me que lhe costumavas dizer o mesmo, tu uma vez disseste-me que ele era como um anjo que foi expulso do céu por ser tão teimoso, agora que estás ai em cima com Ele ajuda-o o teu amigo Diogo um pouco ele parece tão triste, e também tem tantas saudades tuas. Agora que tu és o anjo. "choro" "click", fim da mensagem...."

Sem mais nada a dizer...

sábado, 8 de janeiro de 2011

Capt. 2


Capt. 2

Para lá da montanha, num local bem pequeno que só é achado à lupa, pensa o homem, mirando as estrelas, o que me faz feliz? As estrelas perdidas no espaço não dão resposta. Uma voz amiga de repente diz, eu faço-te feliz? Ele olha mirando o ser que agora se aproxima, volta a mirar o espaço sideral, e responde, fazes, fazes-me feliz, mas falta-me algo, algo que não sei explicar o que é, falta-me algo...
Às vezes mira-mos as estrelas à procura de resposta, mas elas que sabem da vida cá em baixo? diz a rapariga sentando-se ao lado dele na rocha que servia de miradouro espacial, A noite é boa conselheira, sempre ouvi dizer! encosta a cabeça no ombro dele e olha também o espaço, e com um suspiro profundo diz, A noite sabe demais, sabe de carne e loucura, de solidão e depressão, mas pouco partilha connosco senão esses sentimentos que outros como tu lhe recitaram aos ouvidos, suavemente, suavemente!
Ele olha e uma lágrima escorre-lhe pela face, ao que ela prontamente responde secando-a, Porque a secaste? Não gosto de te ver chorar! Mas eu quero tanto chorar! Então chora, cá estarei para secar toda e qualquer lágrima! Ele sorri, e mira de novo o universo. Gostei tanto do tempo em que este vazio se preencheu! Ela sorri de volta, e mete-lhe a mão do peito, sobre o coração, a alma. Tens um coração tão grande, acredita em mim, é muito vazio para preencher, haverá gente que não conseguirá segurar algo tão grande e pesado! Dizes que deva desistir? Não digo que há gente que não aguentará a força que tens, o peso que carregas e a voz das tuas ideias! Então como sei quem aguenta? Eu aguento, mas não te preencho o vazio, o espaço que falta, não sei, diz ela mirando os dedos irrequietos que agora se entrelaçam entre ambas as mãos numa pequena brincadeira entre si, Não sei, mas tu saberás quando esse alguém chegar! E se nunca chegar? Cá estarei para te secar as lágrimas! Ele olha para ela, que agora se agarra ao seu pescoço, Senão lutar pelo amor, e nada mais achar que me faça feliz, posso lutar por ti? Não, nunca, por mim nunca terás que erguer um punho, podes lutar ao meu lado, mas por mim não, estarei aqui, neste local, agarrada a ti para sempre, só tens que falar para chegar até mim e não combater inimigos. Ele sorri, a boémia lógica da rapariga encanta-o, e ele embala-a, ela adormece, é tarde, pega nela ao colo, leva-a até casa, deita-a na cama e suavemente beija-a na testa, sorri, e tapa-a, sai pela porta, mira de novo o universo, e pergunta, O que a faz feliz?

Nunca lutes por quem gostas, luta ao lado deles pois merecem. Pode ser que isso te faça feliz.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Capt. 1





Capt. 1

É tarde, a noite come-me o pensamento com escuridão dilacerante e eu por aqui, escrevo, ouço e penso. Perco o fio à meada porque a mente está presa e vagueia, para longe, para o passado. Carpe Omnium devia ser um lema para toda a vida mas na realidade sou um ser senciente, preciso de viver de sentimento em sentimento, negativo ou positivo, assim vivo e continuo a sobreviver, quero ser mais acreditem em mim, eu tento, ser forte, ser a barreira entre o cães desse mundo e as pessoas boas que conheço, e por momentos fui um desses caninos carniceiros, fui eu o culpado de dor, de mágoa, tudo porque acho que o mundo foi injusto para comigo, tenho que ser mais forte, ser o escudo e não o criminoso, não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti, e eu fiz. E ao espelho vejo-me com olhos cerrados e punhos cerrados, odeio a imagem reflectida, e perco-me em pensamentos, quem és tu, pergunto eu ao espelho e ele sem resposta ali fica a atormentar-me a meter gasolina nesta ardente raiva para com o meu próprio reflexo.

Superior à minha dor para que os outros não sintam mágoa ou receio.