domingo, 8 de setembro de 2013

Re(conhecer)

Ah como sou tão pequenino, é assim que o mundo me faz divagar, até uma reles aplicação social me remete para longe, e ela pergunta, actualizem os locais que visitou ao fim de umas férias tão curtas, que sádica penso eu, precisaria de quase um ano para digitalizar todas as minhas memórias, um ano inteiro a batalhar com todas as coisas que já fiz, e temo que não chegaria para descrever todos os pratos doces e salgados, os cheiros a orvalho e pinheiro, a flores, a mar, a rio, a estrada até a postos de gasolina, o meu corpo perdesse nestas memórias e em catadupa despeja sobre mim um manancial enorme de recordações, como descrever tudo isto? E o cérebro as voltas moe o trigo e o milho que fazem o pão de 25 anos de história, nos olhos a lágrima ameaça evadir-se e cavalgar pela face, como descrever a felicidade de cada local tão único pelas pessoas que lá passaram, esqueço-me sempre de escrever, feito vândalo, em local provavelmente ilegal "eu estive aqui" mas prendo-me na ideia, que importa para o tempo eu ter estado lá? Que importa para a recordação o terreno que pisei? O correcto era escrever nós estivemos aqui, o correcto era pousar uma rocha de 500 toneladas naquele local pela simples razão, PARA MIM IMPORTOU, sinto que trago comigo tantos nomes, tanta gente que se decidirmos todos parar ao mesmo tempo para beber uma imperial e partilhar uma história a mesa na ponte Vasco da Gama não chegaria, e talvez o tal ano também não chegasse, a minha alma vai cheia mas a minha vontade é de sobrelotar o seu disco rigido, e se ela me deixar aceder a cada risada, a cada momento, a cada beijo doce, a cada abraço, a cada aperto de mão, a cada choro e a cada amargo de boca, eu serei tão feliz, e todas estas pessoas se perderem um minuto a abrir essas passagens e se sentirem tão melancolicamente alegres como eu, e que isso lhes dê um pequeno empurrão nos dias de merda, não porque eles tiveram lá, não porque eu tive lá, mas sim porque nós estivemos lá, e que essa rocha seja âncora, abrigo e farol, que essa rocha seja experiência e marco! 
Não quero aqui estar a meter todos os locais e as pessoas que apesar de merecerem, essas tal como eu podem fazer o duplo clic e entrar nesse espaço sabem quem são, e a noite por aqui começa com o mais belo quarto minguante que alguma vez vi para pontoar este pequeno traço de dedos a espremer os ultimos reles 3% de bateria da minha tablet. Portanto só me resta limpar as lágrimas tocar os lábios com dois dedos e acariciar as rochas como se ainda estivéssemos lá, porque o amanhã merece mais rochas. Sorriam.
C'est Fini