terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Capt. 8

Capt. 8

Aos pés da montanha enorme de palavras, frases, poesia e prosa, aos pés do meu caderno, desabafo o meu peito, e fiquei por ali na estática impermanente do electromagnetismo do monitor, aos pés desta pilha gigantesca do léxico, perco-me nas letras, das palavras que não sei se são adequadas.

Desculpa
Desculpa pelo o que digo, apesar de ter esse direito abdico dele.

Respeito
E quando este se for embora e ficarem apenas pessoas.

Niilismo
Não devia querer saber destes porquês

Amor
É fogo que arde sem se ver, é olhar no espelho e ficar triste por não te ter, alguém disse-me uma vez que amor é na realidade quando o que nos aproxima é maior que o que nos afasta....

Passagem
Estou de partida, estou no ir, mas desejo-te tanto...

Desejo
Aquilo que não apago da alma...........

Olhos
O que mais gosto em ti, o brilho que uma noite vi...

Inevitável
Tinha que acontecer....

Paixão
Aquele clarão de luz que me fazia correr para os teus braços depois de um dia cansado...

Medo
O que me resta depois da entrega............

Esperança
Algo imortal......

Amizade
O carinho que me faz abrir um portal para o poço da alma para agarrar forças que não tinha....

Entrega
O que te dei, e não recebi de volta.

Dor
O que resta....

E no sopé olho o cume, estará lá em cima a palavra certa, começo a subir, deito ao chão todas as outras que caiem em significados dispersos, lá em cima agarro-me à palavra mas a mão escorrega, eu em esforço puxo-me com todas as forças que tinha e que não tinha, gritei de esforço, berrei com mais um empurrão, debruçado sobre a palavra, perco-me na leveza do desmaio, na descida desamparado, de costas estatelado no chão na sala vazia da minha alma o eco seco de um corpo de 93% de água a aterrar no chão plano, a 80km/h um corpo de 82kg pesa para cima de uma tonelada, o som ecoa, e eu no meu ultimo suspiro digo-te a palavra de olhos fechados pois é a única que podemos dizer dessa forma.


Não consigo de forma nenhuma descrever o significado de quando fechamos os olhos e somos embalados pelo perfume de outra pessoa largamos-nos na queda, fugidia, perdida, relaxada, cegos que vamos ser agarrados antes da queda, antes do som seco do nosso corpo atingir o solo, tacto, olfacto, visão, audição e paladar, relaxam sentem-te em todos os 5, o toque da tua pele, o teu perfume, olhar-te nos olhos, o som da tua voz e o teu sabor, fé, os meus sentidos vagueiam.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Intervalo #1



Fazes-me falta


e quando o sono vem e a cama me chama

a saudade apela que eu vá em frente

sem esquecer ou contornar a memória

apenas um vazio permanente

venham as dádivas e os profetas

venha a luz e a noite

a nortada subsequente

e a busca quase ardente

que não percamos as vitórias

nem os soldados caidos

que não façamos más memórias

dos achados perdidos

leva-me para longe

maré revolta

e eu insurjo-me novamente

para quem vai e nunca mais volta

este verso intermitente...

salud....

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Capt. 7


Capt. 7

A imagem que fica, um café e um sol vigorante que rasga as nuvens e apresenta ao mundo as suas verdadeiras cores, as sombras ficam para trás e escurecem as caras, mas essas mesmas não importam, todos vemos essa luminosidade inusitada provocada pelo astro que ofusca os olhos este rasgo contrastante com o cinzento do dia e a noite que se avizinha. O sol faz contraste com a minha alma o yin e o yang quase permanente que se mistura no nosso âmago e nos deixa cinzentos como esse céu que lamenta despedidas. De onde vem este sol traiçoeiro que remata o final de uma lua cheia, porque vem ele tão radiante quando a sua amante lhe foge? Eu acho que a resposta se encontra em cada eclipse lunar aquele momento em que se beijam pintam-se ambos de negro e o halo criado por esse toque deixa-nos embasbacados a vislumbrar o momento, enche-nos de esperança com uma despedida radiante o sol beija a lua uma ultima vez provocando uma erupção de luz, as cores voltam a ambos aos pouco, dizendo ele até já, até logo, e a lua chora e ele rejubila pelo próximo toque e nós, nós cá em baixo abraçamos-nos, sorrimos e aplaudimos, obrigado eternos amantes, obrigado.